sábado, 9 de julho de 2016

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".Só minha gastrite e os travesseiros da cama sabem quantos sorrisos dei quando a vontade era mandar quem quer que seja para o quinto dos infernos, mas a minha insegurança me fez relevar, repensar, ou pior, me fez enfiar o rabo entre as pernas e assumir qualquer culpa, mesmo que não fosse minha, para que a minha versão resumida, a minha versão redimida, a minha versão fofinha conquistasse qualquer migalha da sensação de se sentir querido por alguém.

Hoje, neste segundo, já não suporto mais rir das piadas sem graças, dos comentários ridículos, das músicas de péssimo gosto. Já não consigo mais tolerar gente com um ego enorme, um nariz em pé, que me aponta o dedo e diz que eu não sou bom o suficiente para ser qualquer coisa. 

O mundo, meu amigo, vai fazer você se sentir assim – feio, desproporcional, desinteressante, amargo, chato, pessimista ou qualquer coisa ruim, porque é assim que as pessoas mais egoístas conseguem se destacar. Elas te diminuem para, assim, se exaltar. 

Eu nunca quis ser a melhor pessoa do mundo. Eu nunca quis ser a pessoa mais bonita, interessante, agradável ou qualquer aumentativo dos sentimentos. Eu, de um jeito ridículo, só passei a sentir uma necessidade absurda de ser querido. Mas, a essa altura do campeonato, tanto faz.

Retiro agora, nesse segundo, o peso das minhas expectativas das costas. Não todas, é claro, porque ainda não sou mágico e estou longe de fazer milagres, mas quero firmar um contrato comigo mesmo – vou deixar quem quer que seja pensar o que quiser de mim, mas que os que pensem qualquer coisa ruim se danem. Lidem com os dados. Porque eu, ah, eu já cansei de implodir bombas atômicas no peito.

Quero ter o prazer de ser quem eu sou e conquistar qualquer sorriso bobo de quem gostar de mim por isso. Quero dizer qualquer coisa sem precisar rever pelo menos umas cem vezes a mesma frase para saber se realmente soa engraçado. Quero ter o corpo que tenho, do jeito que ele é, sem me preocupar se alguma pessoa vai olhar para ele e tecer uma ofensa ou comentário maldoso.

Quero redescobrir o que sempre fui ou ainda sou, mas a insegurança mascarou. E olha, amigo, te digo com toda a sinceridade do mundo – não tem nada pior do que deixar de ser quem se é para ser quem as pessoas esperam que a gente seja. 

Já me desdobrei demais fazendo o meu coração de papel em formatos de origami. Agora, chegou a hora de me desamassar e me mostrar por inteiro, sem medo de, por não ter mais um formato engraçado, ser menos querido. Certo mesmo está quem tem coragem de dizer – goste de mim ou dê o fora. No fim das contas, é sempre melhor assim. Só fica quem quer ficar." Trecho de um texto de Matheus Rocha @neogismo


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